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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

DIA DE S. VALENTIM

Na semana dos namorados, lembremos dois autores sempre actuais, um de expressão francesa e outro de expressão inglesa, que tão bem souberem expressar o amor, afinal a nossa razão de existência.

SHALL I COMPARE THEE TO A SUMMER'S DAY?

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe, or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.

SHAKESPEARE, SONNETS, 1609


QUE SERAIS-JE SANS TOI

Que serais-je sans qui vins a ma rencontre
Que serais-je sans toi qu'un coeur au bois dormant
Que cette heure arrêtée au cadran de la montre
Que serais-je sans toi que ce balbutiement

J'ai tout appris de toi sur les choses humaines
Et j'ai vus désormais le monde à ton façon
J'ai tout appris de toi comme on boit aux fontaines
Comme on lit dans le ciel les étoiles lointaines
Comme au passant qui chante on reprende sa chanson
J'ai tout appris de toi jusqu'au sens du frisson

Que serais-je sans qui vins a ma rencontre
Que serais-je sans toi qu'un coeur au bois dormant
Que cette heure arrêtée au cadran de la montre
Que serais-je sans toi que ce balbutiement

J'ai tout appris de toi ce qui me concerne
Qu'il fait jour à midi qu'un ciel peut être bleu
Que le bonheur n'est pas un quinquet de taverne
Tu m'as pris par la main dans cet enfer moderne
Óu l'homme ne sait plus que c'est qu'être deux
Tu m'as pris par la main comme un amant heureux

Que serais-je sans qui vins a ma rencontre
Que serais-je sans toi qu'un coeur au bois dormant
Que cette heure arrêtée au cadran de la montre
Que serais-je sans toi que ce balbutiement

Qui parle de bonheur a souvent les yeux tristes
N'est ce pas un sanglotde la déconvenue
Une corde brisée aux doigts du guitariste
Et pourtant je vous dis que le bonheur existe
Ailleurs que dans le rêve ailleurs que dans les nues
Terre terre voici ses rades inconnues

Que serais-je sans qui vins a ma rencontre
Que serais-je sans toi qu'un coeur au bois dormant
Que cette heure arrêtée au cadran de la montre
Que serais-je sans toi que ce balbutiement

ARAGON, LE ROMAN INACHEVÉ, novembre 1956

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

UM POEMA: "CAMINHO"

Numa semana em que somos particularmente convidados a comprar para celebrar o AMOR, o Sérgio Silva, que é aluno do 11º A, decidiu convidar-nos a percorrer o... um... caminho do amor.

Pede-nos o Sérgio que aceleremos a leitura assim que chegarmos à parte do diálogo, pois só assim notaremos que os discursos vão rimando e originando uma certa complementaridade entre estes. Pede-nos, ainda, que não leiamos o nome dos intervenientes, apenas as suas falas e que tenhamos especial atenção à frase relativa à placa da estalagem, no início e no fim do texto.

Pedra a pedra atravessa a estrada,
A primeira estalagem tem uma placa afixada:
"Proibida a entrada (...)".
Passou ao lado e seguiu em frente,
Cabeça erguida e auto-estima presente,
Até aparecer um ser no chão:

Ser Feminino: Então como te chamas oh doente?
Ser Masculino: Chamam-me «Poeta»!
Ser Feminino: Isso é nome de gente ou é invenção?
Ser Masculino: Não! É nome de gente pouco esperta.
Ser Feminino: Então? Porque achas isso?
Ser Masculino: Porque nunca andamos na estrada correcta.
Ser Feminino: Calma rapaz, tens que ter juízo.
Ser Masculino: Juízo, será essa a palavra certa?
Ser Feminino: Que é isso de poeta?
Ser Masculino: É coisa de gente pateta.
Riscar um papel com sentimentos! Enfim ...
Ser Feminino: Oh. E não és feliz assim?
Ser Masculino: Sou e não sou. A poesia é o que mais me completa.
Mas não é a maneira mais correcta de viver.

Ser Feminino: Porque é que não há-de de ser?
Ser Masculino: [envergonhado]: Porque atrás dela escondo o que vai dentro de mim!
Ser Feminino: Estás a dizer que és cobarde?
Ser Masculino: Não é bem assim.
Num coração de escritor há muita coragem e amor.
Expôr o interior é que é o pior.
Mas sei que nunca será a forma mais feliz.
Por isso sim, considero-me infeliz.
Ser Feminino: Bem! Acho que chegámos.
Ser Masculino: Boa. Está ali o que procurávamos.
Lê a tua mensagem primeiro, que eu leio a minha depois.
Ser Feminino: "Numa estrada complicada encontraste a felicidade de mão beijada."
É a tua vez.
Ser Masculino: "Com uma difícil tarefa de usar a caneta para descrever o amor,
tens agora a certeza que sempre deste o teu melhor."

De regresso, os dois repararam que a placa da estalagem estava do avesso.
E dizia: " (...) a gente condenada a não ter felicidade!"